Segurança no Butantã: roubos caem 7,6%, mas caso de policial que matou vítima choca moradores
São Paulo, junho de 2026 — A segurança pública é um dos temas que mais geram debate no bairro do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo. Em 2026, dois acontecimentos marcaram a discussão: a divulgação de dados oficiais que apontam queda de 7,64% nos roubos na região no primeiro quadrimestre do ano, e o caso trágico de um empresário morto por um policial militar de folga durante uma tentativa de assalto — episódio que chocou moradores e ganhou repercussão nacional.
O caso do policial que matou a vítima do assalto
Em 28 de março de 2026, o empresário Celso Bortolato de Castro, de 58 anos, morreu baleado na Rua Sapetuba, no Butantã, após um policial militar de folga intervir em uma tentativa de assalto. Celso voltava de um almoço com sua esposa em uma moto quando o casal foi abordado por dois ladrões em outra moto.
Um PM que passava pelo local, de folga e à paisana, presenciou a ação criminosa e interveio. Na troca de tiros que se seguiu, o empresário e um dos suspeitos foram atingidos. Ambos morreram. O outro assaltante conseguiu fugir.
A versão oficial da Polícia Militar, divulgada pela Secretaria da Segurança Pública, afirmou que houve uma troca de tiros entre o policial e os suspeitos. A esposa de Celso, porém, contestou a versão, afirmando que o marido foi morto por um policial que o confundiu com o assaltante e que não houve troca de tiros por parte dos criminosos.
O caso teve ampla cobertura dos principais veículos de imprensa nacional, como Jornal Nacional (TV Globo), SP2 (Globo) e R7. A SSP informou que tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar abriram inquéritos para investigar o episódio.
O que dizem os dados oficiais de criminalidade
Apesar do clima de insegurança entre moradores — reforçado pelo episódio de março e por reportagens do JR na TV (Record) exibidas em 5 de junho de 2026 —, os índices oficiais mostram uma trajetória de queda:
- Roubos na 3ª Seccional da Polícia (que abrange Butantã e Rio Pequeno): recuaram 7,64% no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025;
- 1.846 pessoas presas ou apreendidas na região no mesmo período, segundo a SSP;
- A Secretaria da Segurança Pública afirmou que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada na região.
O reconhecimento de que os índices caem, porém, não elimina a percepção de insegurança que muitos moradores relatam. Em redes sociais e em reportagens, moradores descrevem situações frequentes de roubos a pedestres, furtos de objetos e abordagens, especialmente nas proximidades da Estação Butantã do Metrô e nas ruas adjacentes.
Histórico recente de ocorrências
A região do Butantã historicamente apresenta índices de criminalidade mais elevados do que outros bairros da Zona Oeste, em parte pela presença de um grande pólo de fluxo humano — o campus da USP, a Estação de Metrô e o Shopping Butantã — que atrai tanto moradores e estudantes quanto criminosos oportunistas.
Em 2023, dados da Secretaria da Segurança Pública já indicavam mais de 1.100 furtos e 752 roubos registrados na área do 51º Distrito Policial do Butantã apenas entre janeiro e julho daquele ano, segundo reportagem do SBT News. Na época, a queda de 22% nos roubos já era registrada, mas os números absolutos ainda eram considerados altos.
A discussão sobre segurança no bairro
O caso do policial que matou a vítima do assalto acendeu um debate mais amplo sobre dois temas distintos:
1. O protocolo de uso da força pela PM
A morte de um civil inocente por um policial em serviço — ainda que de folga — levanta questões sobre o treinamento e o protocolo de intervenção policial em situações de risco, especialmente em áreas urbanas densas. Entidades de direitos humanos e advogados da família da vítima exigiram investigação imparcial.
2. A sensação de insegurança dos moradores
Independentemente dos índices, muitos moradores do Butantã relatam mudar rotinas para evitar riscos: evitar certas ruas após determinado horário, reduzir o uso de celulares em espaços públicos e optar pelo carro ou transporte por aplicativo no lugar da caminhada.
O que pede a comunidade local
Moradores e associações do bairro têm pedido à Subprefeitura e à Secretaria da Segurança Pública maior presença policial em pontos críticos, especialmente nos arredores da Estação Butantã e nas vias de acesso à USP. Também há demanda por maior iluminação pública em ruas menos movimentadas do bairro e pela instalação de mais câmeras de monitoramento.
A administração pública já realizou algumas intervenções pontuais de infraestrutura e segurança, mas moradores avaliam que ainda há muito a ser feito para tornar o bairro mais seguro.
Investigação do caso Celso Bortolato
O inquérito sobre a morte do empresário Celso Bortolato de Castro segue em andamento. Além da investigação criminal, foi aberto um processo administrativo interno na PM para apurar a conduta do policial. A viuva de Celso, que estava presente no momento do crime, manteve publicamente a versão de que não houve reactão armada por parte dos assaltantes e que o marido foi morto de forma equivocada.
O caso tornase um símbolo da complexidade da segurança pública em São Paulo: ao mesmo tempo em que os dados mostram melhora nos índices, episódios tragédicos como este revelam as contradicões de um sistema ainda em crise.
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